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Autor: Belmiro Braga (espírito)

Se tens o leve agasalho
Do santo calor da crença,
Exemplifica o trabalho
Sem cuidar da recompensa.

Não peças aprovação
Do mundo pobre e enganado,
Recorda que o mundo vão
É grande necessitado.

Vais procurar a ventura?
Toma cuidado: os caminhos
São crivados de amargura,
Atapetados de espinhos.

Acalma-te na aflição,
Modera-te na alegria,
Não prendas o coração
Nos laços da fantasia.

No curso de aquisições,
Não vivas correndo a esmo;
Esquece as inquietações,
Toma posse de ti mesmo.

Recorda que tua vida
É sempre uma grande escola;
Muita fronte encanecida
É fronte de criançola.

Não perguntes ao passado
Pela sombra, pela dor,
O caminho é ilimitado,
Eterna a fonte do amor.

Olha o monte luminoso,
Que símbolo sacrossanto!…
Quem desce é riso enganoso,
Quem sobe é suor e pranto.

Não te aflijas. A bonança
É flor de sabedoria,
Não te esqueças que a esperança
É a bênção de cada dia.

No impulso que te conduz,
Age sempre com bondade,
Todo esforço com Jesus
É vida na eternidade.

Notas

1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.

2 – A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Parnaso de Além-Túmulo

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