Como criar o hábito de leitura mesmo com uma rotina corrida

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Autor: Felipe Gallesco

Você não precisa de duas horas livres, uma poltrona perfeita e uma tarde chuvosa para ler um livro

Se fosse assim, pouca gente leria.

A vida está cheia de coisas para fazer. Trabalho, estudo, mensagens, compromissos, tarefas domésticas, redes sociais… Quando sobra algum tempo, muitas vezes a primeira coisa que aparece é o celular.

E o livro fica ali.

Esperando.

A questão talvez não seja como encontrar tempo para ler, mas como fazer a leitura entrar na rotina que você já tem.

Comece com pouco

Não precisa começar prometendo ler um livro por semana.

Comece com dez minutos.

Pode parecer pouco, mas dez minutos por dia já são mais de uma hora por semana. E, principalmente, ajudam o cérebro a entender que aquele momento faz parte da rotina.

O segredo para criar um hábito de leitura não é começar grande. É começar de um jeito que seja difícil dizer não.

Encontre o seu momento

Tem gente que lê antes de dormir. Outras pessoas preferem a manhã. Tem quem leia no ônibus, no metrô, na fila, durante o almoço ou naquele intervalo entre uma coisa e outra.

Não existe horário certo.

Existe o horário que funciona para você.

Uma boa estratégia é associar a leitura a algo que já faz parte do seu dia. Terminou o café? Algumas páginas. Entrou no transporte? Livro aberto. Deitou na cama? Mais dez minutos.

Com o tempo, o cérebro começa a reconhecer aquele momento como hora de ler.

Pare de escolher livros para impressionar os outros

Talvez você tenha tentado criar o hábito de leitura começando justamente pelo livro que “deveria” ler.

Um clássico enorme. Um livro difícil. Alguma obra que todo mundo considera indispensável.

E aí você passa vinte páginas olhando para o relógio.

Tudo bem abandonar.

Leia ficção científica. Biografia. Romance. História em quadrinhos. Crônicas. Filosofia. Contos. Um livro sobre um assunto completamente aleatório que despertou sua curiosidade.

O melhor livro para criar o hábito de leitura é aquele que faz você querer continuar lendo.

Depois, você pode se aventurar por livros mais difíceis.

O celular não precisa desaparecer

Também não precisa transformar a leitura em um retiro espiritual.

Mas experimente deixar o celular um pouco mais longe.

O problema não é apenas o tempo que passamos no celular. É a quantidade de vezes que ele interrompe nossa atenção.

Você abre um livro.

Lê duas páginas.

Chega uma notificação.

Pega o celular “só para ver”.

Quando percebe, está vendo um vídeo de alguém restaurando uma panela de 1957.

Acontece.

Por isso, dez ou quinze minutos sem notificações já podem fazer uma diferença enorme.

E se parar?

Volte.

Essa talvez seja a parte mais importante.

Você ficou uma semana sem ler? Volte.

Terminou um livro e não começou outro? Volte.

Leu cinco páginas em um dia em que queria ter lido cinquenta? Continue.

Um hábito não precisa ser perfeito. Precisa ser retomado.

A leitura não precisa disputar espaço com toda a sua vida. Ela só precisa encontrar um pequeno espaço dentro dela.

Dez minutos hoje.

Mais algumas páginas amanhã.

E, quando perceber, aquele livro que ficava esquecido na mesa começou a fazer parte da sua rotina.

Talvez seja assim que um hábito começa: não com uma grande decisão, mas com algumas páginas.

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